Falso delegado engana idosa e golpe de R$ 165 mil termina com sete denunciados em Goiás
Grupo teria usado falsa investigação bancária para convencer vítima de 75 anos a transferir dinheiro; Justiça identificou ainda indícios de lavagem de dinheiro e falsidade documental
Idosa de 75 anos foi vítima do golpe do falso delegado em Goiânia. Foto: Reprodução/TV Anhanguera. Uma idosa de 75 anos foi vítima de um esquema criminoso que teria usado a falsa identidade de policiais para retirar cerca de R$ 165 mil de sua conta bancária, em Goiânia. Sete pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) por envolvimento no chamado “golpe do falso delegado”. A denúncia foi recebida pela Justiça em agosto.
Segundo as investigações, o esquema começou quando um homem telefonou para a vítima e se apresentou como delegado da Polícia Civil. Durante a conversa, ele afirmou que o gerente do banco onde a idosa mantinha sua conta estaria sendo investigado por supostas fraudes financeiras.
A história foi construída para provocar medo e transmitir a sensação de que o dinheiro da vítima estava em risco. O falso delegado teria dito que, para proteger o patrimônio enquanto a suposta investigação estivesse em andamento, seria necessário realizar movimentações bancárias para contas indicadas pelo grupo.
Transferências chegaram a R$ 115 mil
De acordo com o inquérito policial citado na denúncia do MPGO, o primeiro contato com a idosa ocorreu em 30 de setembro de 2024.
Dois dias depois, em 2 de outubro, o homem voltou a conversar com a vítima e teria conseguido convencê-la a realizar uma transferência bancária de R$ 45 mil.
O golpe, porém, não terminou ali.
Na sequência, uma nova transferência de R$ 70 mil foi realizada. Somadas, as duas operações chegaram a R$ 115 mil.
No dia seguinte, ainda segundo a investigação, um empréstimo no valor de R$ 47.585,35 foi contratado em nome da vítima. O dinheiro desse empréstimo não chegou a ser sacado, conforme as informações da investigação.
Também foi registrada uma nova movimentação de R$ 3 mil da conta da idosa.
Considerando as movimentações identificadas durante a apuração, o esquema alcançou aproximadamente R$ 165 mil.
Suspeitos teriam funções diferentes no esquema
A investigação aponta que o grupo funcionava com divisão de tarefas.
Um dos denunciados seria responsável por se passar pelo delegado durante os contatos telefônicos. Uma mulher envolvida no caso teria assumido o papel de policial para aumentar a credibilidade da história apresentada à vítima.
Outro suspeito teria atuado no levantamento de informações sobre vítimas e delegacias. Esses dados seriam posteriormente utilizados durante as ligações para fazer com que a abordagem parecesse verdadeira.
Também havia, segundo a investigação, pessoas responsáveis pela movimentação financeira do dinheiro obtido com os golpes.
Parte dos valores teria sido distribuída entre diferentes contas bancárias, mecanismo que pode dificultar o rastreamento da origem e do destino dos recursos.
Justiça aponta indícios de lavagem de dinheiro
Ao receber a denúncia, em 17 de agosto, o juiz Alessandro Pereira Pacheco considerou haver elementos para o prosseguimento da ação penal.
Além das acusações relacionadas a estelionato mediante fraude eletrônica e associação criminosa, a decisão menciona indícios de lavagem de dinheiro e falsidade documental.
Conforme informações que constam no processo, até 13 de agosto quatro dos denunciados permaneciam presos preventivamente, enquanto outros três eram considerados foragidos.
A prisão preventiva decretada contra os investigados foi mantida pela Justiça.
O recebimento da denúncia significa que o processo criminal poderá avançar para a fase de instrução. Não representa, por si só, condenação dos acusados, que terão direito à defesa durante o andamento da ação.
Polícia faz alerta sobre golpes
A delegada Lara Soares Françoso de Castro chamou atenção para uma característica importante desse tipo de crime: policiais não entram em contato com cidadãos para determinar transferências bancárias.
Uma autoridade policial pode telefonar para solicitar o comparecimento de uma pessoa à delegacia ou prestar informações relacionadas a um procedimento. Solicitações para fazer Pix, transferências, empréstimos ou movimentações financeiras, entretanto, não fazem parte desse procedimento.
A orientação é especialmente importante porque criminosos têm usado técnicas de engenharia social para dar aparência de legitimidade aos golpes.
Informações pessoais, nomes de instituições, bancos, delegacias e até dados verdadeiros sobre a vítima podem ser utilizados para aumentar a confiança durante a abordagem.
Investigação pode encontrar novas vítimas
Mesmo após a conclusão da primeira etapa da investigação, os trabalhos devem continuar.
Equipamentos eletrônicos apreendidos durante as diligências serão analisados. O objetivo é verificar o fluxo do dinheiro, identificar outras pessoas que eventualmente tenham participado do esquema e descobrir se existem novas vítimas.
A investigação também tenta reconstruir o caminho percorrido pelos recursos enviados para diferentes contas bancárias.
O caso reforça a necessidade de atenção, principalmente entre idosos e familiares, diante de telefonemas envolvendo bancos, instituições públicas ou supostas autoridades policiais.
Ao receber uma ligação desse tipo, a recomendação é não informar senhas, códigos enviados por SMS ou dados bancários. Também não se deve fazer Pix, transferências ou contratar empréstimos por orientação de desconhecidos.
O ideal é encerrar a chamada e procurar o banco ou a Polícia Civil utilizando exclusivamente canais oficiais.




COMENTÁRIOS