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Brasília,11/09/2026

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7 de Setembro coloca Flávio Bolsonaro no centro da mobilização da direita na Avenida Paulista

Candidato à Presidência reúne aliados e apoiadores em São Paulo, endurece críticas a Lula e Alexandre de Moraes e transforma feriado da Independência em ato político a menos de um mês da eleição


7 de Setembro coloca Flávio Bolsonaro no centro da mobilização da direita na Avenida Paulista Flávio Bolsonaro participa de manifestação de 7 de Setembro na Avenida Paulista, em São Paulo, ao lado de aliados e apoiadores; o ato teve críticas a Lula e Alexandre de Moraes e manifestações em defesa de pautas associadas ao bolsonarismo.

O 7 de Setembro de 2026 colocou Flávio Bolsonaro (PL) no centro de uma das principais mobilizações políticas da direita nesta reta da campanha presidencial. Nesta segunda-feira (7), o senador reuniu apoiadores e importantes lideranças políticas na Avenida Paulista, em São Paulo, em uma manifestação marcada por bandeiras do Brasil, críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), além de manifestações de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Organizado pelo diretório paulista do PL, o evento teve como principais palavras de ordem “Fora Lula” e “Fora Moraes”. A concentração começou durante a tarde na região do Masp, ponto tradicional dos grandes atos políticos realizados pela direita nos últimos anos. Antes da manifestação, a organização havia informado que trabalhava com a expectativa de reunir até 100 mil pessoas. Até a publicação das primeiras coberturas do evento, porém, não havia uma estimativa independente definitiva sobre o tamanho do público presente.

Flávio chegou à Paulista por volta das 15h. Ao seu redor estavam lideranças do campo conservador e integrantes de diferentes partidos aliados. Entre os nomes registrados no ato estavam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, parlamentares como Marco Feliciano e Sóstenes Cavalcante, o ex-deputado Deltan Dallagnol e o pastor Silas Malafaia.

Flávio concentra discurso em Lula e Moraes

Em seu principal discurso, Flávio Bolsonaro buscou estabelecer uma associação política entre Lula e Alexandre de Moraes. O candidato afirmou que “quem vota em Lula vota em Moraes” e voltou a defender a saída do ministro do Supremo. A manifestação ocorre justamente em um momento de forte exposição das divergências dentro da Corte relacionadas ao caso Banco Master e às revelações envolvendo Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Flávio também colocou o futuro do STF entre os temas de sua campanha. No palanque, afirmou que pretende indicar ministros para as vagas que surgirem na Corte durante um eventual mandato presidencial. A nomeação de ministros do Supremo depende da abertura efetiva de vagas, seguida de indicação do presidente da República e aprovação pelo Senado Federal.

A situação de Jair Bolsonaro também ocupou espaço relevante na manifestação. O ex-presidente não estava presente, mas sua imagem apareceu em discursos, cartazes e palavras de ordem. Flávio voltou a contestar a condenação do pai e apresentou sua candidatura aos apoiadores dentro de uma narrativa de continuidade do movimento político liderado por Jair Bolsonaro.

Tarcísio participa e cobra resposta institucional

A presença de Tarcísio de Freitas deu peso adicional ao encontro. O governador paulista cobrou do STF uma resposta às informações reveladas recentemente envolvendo Moraes e defendeu que os fatos sejam esclarecidos pelas instituições. Em sua fala, também destacou o papel do Senado na fiscalização e nos mecanismos constitucionais relacionados aos integrantes do Supremo.

Tarcísio participou ainda, ao lado de Flávio, de uma agenda religiosa antes da manifestação. Os dois estiveram na Igreja Mundial do Poder de Deus, no Brás. Flávio participou de uma oração e mencionou a situação do pai. A passagem pela igreja reforçou uma agenda que procura manter proximidade com o eleitorado evangélico, tradicionalmente relevante para o bolsonarismo.

André Mendonça recebe apoio dos manifestantes

Um elemento diferente dos atos anteriores foi a presença de mensagens de apoio ao ministro André Mendonça, indicado ao STF durante o governo Jair Bolsonaro. Faixas, cartazes e manifestações públicas em favor do magistrado apareceram na Paulista.

Mendonça é relator de investigações relacionadas ao caso Banco Master e ganhou projeção entre apoiadores de Bolsonaro depois de retirar o sigilo de relatório da Polícia Federal que revelou diálogos envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. A crise provocou novo embate dentro do Supremo e transformou-se em um dos principais combustíveis políticos da manifestação.

O movimento representa também uma mudança importante de linguagem dentro de parte do bolsonarismo. Em vez de concentrar as críticas no Supremo como instituição, lideranças passaram a defender que a Corte seja preservada enquanto direcionam questionamentos especificamente à atuação de Moraes.

Mobilizações se espalharam pelo país

Embora a Paulista tenha concentrado as atenções pela presença de Flávio, manifestações da direita ocorreram em pelo menos 15 cidades brasileiras neste 7 de Setembro, segundo levantamento publicado pelo Poder360. Em Brasília, apoiadores também fizeram atos com críticas a Lula e Moraes e demonstrações de apoio a André Mendonça.

Na capital federal, as manifestações ocorreram paralelamente ao desfile cívico-militar da Independência, do qual participou Lula. A realização simultânea dos eventos mostrou mais uma vez a utilização do 7 de Setembro como uma data de forte expressão política, especialmente em um ano eleitoral.

A eleição entra definitivamente nas ruas

A manifestação da Paulista acontece a menos de um mês do primeiro turno e no momento em que Flávio Bolsonaro e Lula ocupam as duas primeiras posições no Datafolha divulgado em 3 de setembro. O levantamento apontou Lula com 38% e Flávio com 33% das intenções de voto no primeiro turno.

Nesse cenário, o ato cumpriu uma função que ultrapassa as críticas ao governo e ao Supremo: colocou Flávio diante de uma grande mobilização pública no principal palco das manifestações bolsonaristas dos últimos anos e reuniu ao seu redor governadores, parlamentares, dirigentes partidários e lideranças religiosas.

A dimensão exata da manifestação ainda dependerá de uma medição independente do público. Esse número será importante para uma avaliação objetiva da capacidade de mobilização demonstrada nesta segunda-feira. Até que uma estimativa técnica seja divulgada, qualquer quantidade anunciada por organizadores ou adversários deve ser identificada pela reportagem como estimativa de quem a fornece, e não como dado confirmado.

O que já está documentado é que o 7 de Setembro de 2026 tornou a Avenida Paulista novamente um dos principais palcos da disputa política nacional e deu a Flávio Bolsonaro uma oportunidade de apresentar sua candidatura diante de apoiadores de diferentes segmentos da direita em plena campanha presidencial.




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