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Brasília,28/09/2026

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Vulcão adormecido por quase 500 anos volta à atividade na Rússia e NASA registra avanço da lava

Krasheninnikov, na remota Península de Kamchatka, entrou em erupção poucos dias após um terremoto de magnitude 8,8; imagens de radar feitas do espaço revelam como a lava transformou a paisagem ao longo de meses


Vulcão adormecido por quase 500 anos volta à atividade na Rússia e NASA registra avanço da lava Imagens registradas pelo satélite NISAR revelam a expansão da lava do vulcão Krasheninnikov, na Rússia, após quase cinco séculos sem uma erupção conhecida dessa dimensão.

 Um vulcão que permaneceu praticamente silencioso por quase cinco séculos voltou a chamar a atenção da comunidade científica na Rússia. Localizado na Península de Kamchatka, uma das regiões vulcânicas mais ativas do planeta, o Krasheninnikov entrou em erupção em agosto de 2025, poucos dias depois de um terremoto de magnitude 8,8 atingir a região. Desde então, o fenômeno passou a ser acompanhado do espaço por uma missão conjunta da NASA com a agência espacial da Índia.

O forte terremoto ocorreu em 30 de julho de 2025, no oceano próximo à costa de Kamchatka. Em 3 de agosto, o Krasheninnikov começou a liberar lava, cinzas e gases vulcânicos. Antes disso, a última atividade eruptiva conhecida do complexo havia ocorrido por volta do ano de 1550, segundo registros científicos citados pela NASA.

Embora a proximidade entre os dois acontecimentos tenha despertado interesse imediato dos pesquisadores, cientistas tratam com cautela a relação direta entre o terremoto e a erupção. Grandes abalos sísmicos podem, em determinadas circunstâncias, contribuir para desencadear atividade em sistemas vulcânicos que já estejam carregados de magma e sob elevada pressão. Portanto, o terremoto é considerado um possível gatilho, e não uma comprovação isolada da causa da erupção.

Satélite acompanha transformação do vulcão

O acompanhamento ganhou uma dimensão inédita com o uso do NISAR — NASA-ISRO Synthetic Aperture Radar, missão desenvolvida conjuntamente pelos Estados Unidos e pela Índia para observar mudanças na superfície terrestre.

Orbitando a aproximadamente 747 quilômetros de altitude, o satélite utiliza radar de abertura sintética para enxergar modificações no terreno com grande nível de detalhamento. Diferentemente de câmeras convencionais, o radar consegue produzir informações mesmo durante a noite ou quando nuvens encobrem a região.

A partir de 25 de dezembro de 2025, quando o NISAR concluía seus procedimentos de entrada em operação, o equipamento começou a produzir registros detalhados do Krasheninnikov. O satélite retorna à região duas vezes dentro de cada ciclo de 12 dias, permitindo comparar as mudanças ocorridas no vulcão ao longo do tempo.

Os pesquisadores reuniram 17 registros produzidos até meados de agosto de 2026 e montaram uma sequência em time-lapse. As imagens mostram a lava ocupando inicialmente uma caldeira interna menor, transbordando posteriormente para uma área maior e avançando pela superfície em uma formação semelhante a um leque. O vídeo divulgado pela NASA reúne observações feitas entre dezembro de 2025 e 17 de agosto de 2026.

Lava aparece com destaque nas imagens de radar

As imagens produzidas pelo NISAR não funcionam como uma fotografia comum. O equipamento dispara milhares de pulsos de micro-ondas contra a superfície terrestre e analisa o sinal que retorna ao satélite.

Após processamento, os dados revelam características do terreno que poderiam ser difíceis de observar apenas com imagens ópticas. Cada pixel dos registros do Krasheninnikov representa aproximadamente uma área de 10 metros por 10 metros, permitindo acompanhar com precisão a expansão do material vulcânico.

Nos registros, as áreas cobertas por lava aparecem mais claras porque refletem as micro-ondas de maneira diferente da neve e do solo ao redor. Além do principal fluxo em direção ao leste, pesquisadores identificaram outro deslocamento de material vulcânico para o noroeste.

O acompanhamento mostra como tecnologias espaciais estão ampliando a capacidade de cientistas analisarem fenômenos naturais em áreas de difícil acesso.

Região concentra dezenas de vulcões

A Península de Kamchatka está localizada no extremo leste da Rússia e integra o chamado Círculo de Fogo do Pacífico, área marcada por intensa atividade sísmica e vulcânica.

O Krasheninnikov é formado por dois estratovulcões sobrepostos dentro de uma grande caldeira de aproximadamente 10 quilômetros de diâmetro. Pesquisadores estimam que a formação dessa caldeira tenha ocorrido há cerca de 30 mil anos.

Muitos vulcões da região possuem instrumentos terrestres de monitoramento permanente devido à frequência das erupções. O caso do Krasheninnikov, entretanto, é particularmente relevante justamente pelo longo período sem atividade eruptiva significativa.

Meses após o início do novo ciclo, imagens do Landsat 9 ainda mostravam emissão de gases, cinzas e lava. Em novembro de 2025, autoridades mantinham elevado o nível de atenção para a aviação devido às plumas produzidas pela atividade vulcânica.

Tecnologia pode ajudar na prevenção de desastres

Para os pesquisadores, o episódio também funciona como um teste importante para o NISAR.

A possibilidade de observar repetidamente o mesmo ponto do planeta permite identificar deslocamentos do terreno, avanço de lava, deslizamentos, mudanças em geleiras, terremotos e outros processos geológicos.

No caso do Krasheninnikov, a sequência criada pela NASA demonstra que o monitoramento por radar pode acompanhar uma erupção praticamente passo a passo mesmo em uma área remota e submetida a condições meteorológicas extremas.

Além do valor científico, esse tipo de tecnologia pode contribuir no futuro para sistemas de avaliação de risco e resposta a desastres naturais, fornecendo informações atualizadas sobre regiões onde observações diretamente no solo são difíceis ou perigosas.




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