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Brasília,11/09/2026

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Correios buscam novo empréstimo de R$ 7 bilhões com garantia da União em meio à crise financeira

Estatal já contratou R$ 12 bilhões com respaldo do governo federal e tenta ampliar recursos para sustentar plano de reestruturação; TCU alerta para riscos fiscais da operação


Correios buscam novo empréstimo de R$ 7 bilhões com garantia da União em meio à crise financeira Correios solicitam aval da União para contratar mais R$ 7 bilhões em empréstimos enquanto enfrentam prejuízos bilionários e executam plano de reestruturação financeira.

Os Correios voltaram a recorrer ao mercado financeiro para tentar reforçar o caixa diante da crise que atinge a estatal. A empresa solicitou ao Tesouro Nacional autorização para contratar um novo empréstimo de R$ 7 bilhões com garantia da União, operação que ainda depende da avaliação do governo federal.

O pedido foi apresentado ao Tesouro em 3 de setembro e envolve uma operação com quatro instituições financeiras privadas: Banco ABC, Citibank, Deutsche Bank e J.P. Morgan. A proposta prevê prazo total de 15 anos, incluindo três anos de carência, e remuneração equivalente a 114,26% do CDI, segundo informações divulgadas sobre a negociação.

A garantia da União é um ponto central da operação. Com esse mecanismo, o governo federal assume a responsabilidade de quitar a obrigação caso os Correios deixem de cumprir os pagamentos previstos no contrato. Para os bancos, a garantia reduz o risco do financiamento; para as contas públicas, porém, cria uma exposição que precisa ser considerada pelo Tesouro.

Empréstimos podem chegar a R$ 19 bilhões

A nova operação ocorre depois de os Correios contratarem, em dezembro de 2025, um financiamento de R$ 12 bilhões, também garantido pela União. Caso o empréstimo de R$ 7 bilhões seja autorizado e efetivamente contratado, o volume das duas operações chegará a R$ 19 bilhões.

Documentos oficiais dos próprios Correios mostram que o financiamento anterior tem prazo de 15 anos, com três anos de carência e amortização posterior em 144 prestações mensais. A estatal considera a captação uma das principais fontes de financiamento de seu plano de recuperação.

Inicialmente, o plano previa uma necessidade de aproximadamente R$ 20 bilhões em crédito. Uma primeira proposta nesse valor acabou rejeitada pelo Tesouro porque apresentava juros próximos de 20% ao ano, acima do limite estabelecido para a concessão da garantia federal. Uma nova estrutura foi montada posteriormente, resultando no empréstimo de R$ 12 bilhões contratado em 2025.

Correios enfrentam deterioração financeira

A busca por mais dinheiro acontece em meio a um cenário financeiro delicado. Os Correios registraram prejuízo de aproximadamente R$ 8,5 bilhões em 2025, enquanto o patrimônio líquido negativo chegou a R$ 13,16 bilhões, segundo levantamento analisado pelo Tribunal de Contas da União.

O TCU classificou a situação da empresa como de “insolvência técnica” ao analisar as contas e o plano de reestruturação da estatal. O tribunal também apontou deterioração da capacidade de pagamento e dependência significativa de recursos obtidos por meio de operações garantidas pelo governo federal.

Em 2026, as dificuldades continuaram. No segundo trimestre, o prejuízo informado chegou a R$ 2,4 bilhões, aumentando a pressão por medidas capazes de recuperar receitas, reduzir despesas e garantir capital suficiente para manter as operações da empresa.

União também deverá fazer aporte bilionário

Além dos empréstimos, existe ainda a previsão de entrada direta de recursos públicos nos Correios.

O contrato do financiamento de R$ 12 bilhões estabelece que a União deverá realizar um aporte de pelo menos R$ 6 bilhões até 31 de dezembro de 2027. O cumprimento dessa obrigação é considerado relevante porque o próprio contrato prevê riscos de vencimento antecipado em determinadas situações.

O TCU determinou que órgãos do governo federal adotem mecanismos de acompanhamento para verificar tanto a execução do plano de recuperação quanto o cumprimento das obrigações relacionadas ao aporte.

Considerando os R$ 12 bilhões já contratados, os R$ 7 bilhões agora pretendidos e o aporte mínimo de R$ 6 bilhões, o conjunto de recursos envolvidos nessas frentes pode alcançar R$ 25 bilhões. Isso não significa que os R$ 25 bilhões sejam uma única dívida dos Correios: parte corresponde a empréstimos e R$ 6 bilhões representam aporte previsto da União.

TCU alerta para risco aos cofres públicos

O crescimento da exposição do governo aos Correios já provocou questionamentos dos órgãos de controle.

Em auditoria sobre o financiamento de R$ 12 bilhões, o TCU identificou falhas na avaliação da capacidade de pagamento da estatal e considerou insuficiente a análise das premissas utilizadas no plano de reestruturação.

De acordo com o tribunal, o financiamento contratado em dezembro de 2025 apresenta custo total projetado de R$ 34,2 bilhões até 2040, considerando principal e encargos ao longo de todo o contrato. A Corte também apontou ausência de uma avaliação externa suficientemente robusta sobre as projeções de receitas, despesas e fluxo de caixa apresentadas pela empresa.

O TCU advertiu ainda que, caso os resultados financeiros projetados não sejam alcançados, existe possibilidade de os Correios necessitarem de novos empréstimos ou aportes adicionais da União, ampliando a exposição fiscal do governo.

Novo pedido passa pelo crivo do Tesouro

A solicitação dos R$ 7 bilhões, portanto, não representa dinheiro já liberado aos Correios. O pedido permanece sujeito à avaliação do Tesouro Nacional, responsável por analisar as condições da operação e os riscos associados à concessão da garantia federal.

A decisão ocorre em um momento decisivo para a estatal. De um lado, os Correios precisam de liquidez para cumprir compromissos e executar sua reestruturação. Do outro, o aumento de empréstimos garantidos pelo governo exige atenção especial porque eventual incapacidade de pagamento pode transferir parte do custo para os cofres públicos.

O desafio agora será demonstrar que o plano de recuperação consegue transformar os recursos captados em melhora operacional e financeira suficiente para permitir que a própria empresa arque, no futuro, com uma dívida que se tornou peça central de sua tentativa de reorganização.




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