Brasil lidera ranking mundial de padarias e setor projeta novas oportunidades até 2027
Levantamento da Euromonitor aponta mais de 70 mil padarias independentes no país; transformação dos estabelecimentos em espaços de alimentação e conveniência amplia força do mercado
Brasil lidera o mercado mundial em número de padarias independentes, segundo levantamento da Euromonitor International encomendado pela FIPAN. O pão faz parte da rotina de milhões de brasileiros, mas a dimensão econômica por trás do balcão das padarias é muito maior do que parece. Um levantamento da Euromonitor International colocou o Brasil na liderança mundial em número de padarias independentes, reforçando a importância de um setor presente dos grandes centros urbanos às pequenas cidades.
A pesquisa, encomendada pela FIPAN, Feira Internacional de Panificação, Confeitaria e Food Business, identificou 70.235 padarias independentes no Brasil, considerando os dados de 2024. O número coloca o país à frente de mercados tradicionais como Estados Unidos e Reino Unido.
Nos Estados Unidos, o levantamento contabilizou 30.379 estabelecimentos independentes dentro dos critérios adotados pela pesquisa. O Reino Unido apareceu posteriormente, com 13.745. Embora lidere em quantidade de estabelecimentos, o Brasil ocupa a terceira posição mundial quando o critério analisado é faturamento das padarias independentes.
Padarias brasileiras movimentam bilhões
Somente as padarias independentes brasileiras movimentaram aproximadamente R$ 27,4 bilhões em 2024, com cerca de 2,4 bilhões de transações realizadas durante o ano. A Euromonitor define como independentes os estabelecimentos que operam com menos de dez pontos de venda e não pertencem a outras companhias ou grandes redes.
O estudo também aponta perspectiva de crescimento. A estimativa é que o país tenha aproximadamente 71.390 padarias independentes em 2026 e alcance 72.179 unidades em 2027. O faturamento desse segmento pode chegar a R$ 31,1 bilhões em 2027.
É importante diferenciar esse faturamento do mercado brasileiro mais amplo de produtos de panificação. Considerando pães e outros produtos assados vendidos por diferentes canais, a Euromonitor calculou um mercado de aproximadamente R$ 178,1 bilhões em 2024, com projeção de R$ 210,8 bilhões em 2027.
Padaria deixou de ser apenas lugar para comprar pão
Outra mudança importante está no comportamento do consumidor. Muitas padarias passaram a funcionar como restaurantes, cafeterias, lojas de conveniência e pontos de encontro. Café da manhã, almoço, lanches, refeições rápidas, buffet, confeitaria e produtos de mercado passaram a dividir espaço com o tradicional pão francês.
Segundo a pesquisa, a busca por diferentes momentos de consumo é uma das estratégias utilizadas pelos empresários para aumentar o movimento ao longo do dia. O levantamento mostra ainda que cerca de 87% dos itens comercializados pelas padarias pesquisadas são produzidos nos próprios estabelecimentos.
Esse processo aumenta a importância de áreas como equipamentos profissionais, alimentos congelados, café, tecnologia para restaurantes, delivery, meios de pagamento, gestão empresarial e modernização dos estabelecimentos.
Sudeste concentra quase metade das padarias
A distribuição das padarias pelo território brasileiro também revela diferenças importantes entre as regiões. O Sudeste concentra 32.276 estabelecimentos, equivalente a 46% do total analisado.
O Nordeste aparece com 13.681 padarias, seguido pelo Sul, com 13.466. O Centro-Oeste possui 6.619 unidades, enquanto a Região Norte reúne 4.193 estabelecimentos.
Os números também mostram que ainda existe espaço para crescimento em diferentes regiões, principalmente onde a quantidade de habitantes por padaria permanece acima da média nacional.
Brasília aparece em estratégia para crescimento no Centro-Oeste
O estudo traz um ponto especialmente relevante para Brasília e outras cidades do Centro-Oeste. Na região, as padarias enfrentam forte concorrência de atacarejos e outros formatos de varejo, enquanto consumidores demonstram interesse por refeições rápidas e conveniência.
A Euromonitor aponta que uma das oportunidades para os empresários do Centro-Oeste está justamente na ampliação da oferta de refeições e na criação de ambientes capazes de fazer o consumidor permanecer mais tempo no estabelecimento. Brasília e Goiânia são citadas como cidades onde espaços voltados também à convivência e ao trabalho podem contribuir para aumentar o tíquete médio.
Setor ganha força com inovação e novos hábitos
A transformação acompanha uma mudança mais ampla no mercado de alimentação. O consumidor quer praticidade, mas também procura qualidade, diversidade de produtos e locais que resolvam diferentes necessidades em uma única parada.
Por isso, a padaria brasileira tradicional está mudando. O estabelecimento que antes dependia principalmente da venda de pão agora disputa clientes durante o café da manhã, almoço, café da tarde e até no período noturno.
A dimensão dessa indústria também ficou evidente durante a FIPAN 2026, realizada em São Paulo. A feira reuniu cerca de 58 mil profissionais, aproximadamente 420 expositores e cerca de 2 mil marcas ligadas à panificação, confeitaria e food service.
Os dados ajudam a explicar por que a padaria continua sendo um dos negócios mais presentes nas cidades brasileiras. Mesmo diante do aumento dos custos, da concorrência e das mudanças no comportamento de consumo, o setor mantém uma extensa rede de pequenos e médios empreendedores e segue buscando novos modelos para crescer nos próximos anos.




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