Semaglutida genérica pode chegar às farmácias por cerca de R$ 260 e aumentar concorrência no Brasil
Novas versões do medicamento avançam após registros da Anvisa e podem ampliar as opções para pacientes que utilizam tratamentos à base de GLP-1
Semaglutida genérica pode chegar ao mercado brasileiro com preço estimado em cerca de R$ 260, ampliando a concorrência e a possibilidade de acesso ao tratamento. O mercado brasileiro de medicamentos à base de semaglutida entra em uma nova fase com a chegada de versões genéricas do princípio ativo. Nesta segunda-feira (24), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o segundo medicamento genérico de semaglutida no país, segundo informações divulgadas pela CNN Brasil. A expectativa é que a maior concorrência ajude a reduzir o custo desse tipo de tratamento, que ganhou enorme procura nos últimos anos.
A nova caneta tem como referência o Ozivy, medicamento de semaglutida sintética registrado anteriormente pela Anvisa. O produto será disponibilizado em diferentes apresentações, com solução injetável de 1,34 mg/mL e aplicação subcutânea. A administração é semanal. O registro como genérico significa que o medicamento deve cumprir requisitos de equivalência e pode ser intercambiável com o produto de referência dentro das regras sanitárias brasileiras.
Um dos principais impactos esperados está no bolso do consumidor. A apuração da CNN aponta que as novas canetas poderão custar em torno de R$ 260, enquanto o Ozivy é encontrado na faixa de aproximadamente R$ 400 a R$ 600. O valor de R$ 260, no entanto, ainda deve ser tratado como uma estimativa e não como preço definitivo nas farmácias. A política brasileira de medicamentos genéricos estabelece preços inferiores aos produtos de referência, o que pode provocar também maior competição entre os fabricantes.
A semaglutida pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1. A substância ajuda no controle da glicose e também interfere na sensação de saciedade e no esvaziamento gástrico. Esses efeitos explicam por que os medicamentos ficaram conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”. No caso das versões genéricas recentemente registradas, porém, a indicação aprovada pela Anvisa é para adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado, associada à alimentação adequada e à prática de exercícios.
A expansão do mercado ganhou força depois do fim da patente da semaglutida no Brasil, em março de 2026. Desde então, a Anvisa vem analisando uma série de pedidos de novos medicamentos. Somente em julho, cinco novas canetas de semaglutida sintética receberam registro, ampliando a quantidade de fabricantes autorizados a disputar esse mercado.
A primeira semaglutida genérica produzida pela EMS recebeu registro em 17 de agosto. Na mesma ocasião, a agência autorizou o Semaclique, classificado como medicamento similar e produzido pela Germed. Os produtos utilizam semaglutida obtida por síntese química e têm o Ozivy como medicamento de referência.
A expectativa é que o avanço dos genéricos aumente o acesso a tratamentos que ainda pesam consideravelmente no orçamento dos pacientes. A redução efetiva dos preços, entretanto, dependerá dos valores autorizados para comercialização e da estratégia adotada por cada fabricante quando os produtos chegarem às redes de farmácias.
O uso da semaglutida exige acompanhamento profissional. A Anvisa determina prescrição médica em duas vias para medicamentos da classe GLP-1 e alerta que o uso inadequado pode provocar eventos adversos graves. Em fevereiro, a agência reforçou inclusive o risco de pancreatite aguda associado ao uso indevido dessas substâncias. Por isso, preço mais baixo e maior oferta não eliminam a necessidade de avaliação médica antes do início do tratamento.




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