Arroz vira combustível e coloca Rio Grande do Sul na nova fronteira da bioenergia
Projeto em Charqueadas prevê produção de 635 milhões de litros de etanol por ano e aposta também em hidrogênio verde e combustível sustentável de aviação
Projeto no Rio Grande do Sul pretende transformar arroz e outras culturas agrícolas em etanol e combustíveis renováveis. O arroz gaúcho pode ganhar uma nova função estratégica muito além das mesas brasileiras. Um projeto de biorrefinaria em implantação no município de Charqueadas, no Rio Grande do Sul, pretende utilizar o cereal e outras culturas agrícolas na produção de combustíveis renováveis, abrindo uma nova frente econômica para o agronegócio do Estado. A iniciativa é conduzida pela Vinema Biorefinarias do Sul.
A projeção apresentada para o empreendimento é significativa: a unidade poderá alcançar 635 milhões de litros de etanol por ano. Segundo informações divulgadas sobre o projeto, esse volume corresponderia a aproximadamente 60% do consumo atual do biocombustível no Rio Grande do Sul. Além do arroz, a proposta prevê o aproveitamento de sorgo granífero, triticale e batata-doce como matérias-primas.
A estratégia vai além do etanol convencional. O planejamento inclui a produção de hidrogênio verde, combustível sustentável de aviação, conhecido pela sigla SAF, e coprodutos industriais associados à economia circular. Caso o projeto avance conforme previsto, a iniciativa poderá aproximar ainda mais o agronegócio gaúcho do mercado de energia renovável e das tecnologias voltadas à redução das emissões de carbono.
Para a cadeia produtiva do arroz, a diversificação pode representar uma alternativa importante de mercado. O Rio Grande do Sul possui forte tradição na produção do cereal e a possibilidade de utilização industrial para geração de energia cria uma nova demanda potencial para parte da produção agrícola. O Instituto Rio Grandense do Arroz já recebeu representantes do empreendimento para discutir a utilização do arroz e de outras culturas amiláceas nessa nova cadeia de biocombustíveis.
O projeto também chama atenção em um momento no qual a transição energética amplia a procura por combustíveis de menor impacto ambiental, especialmente no transporte e na aviação. O SAF, por exemplo, tornou-se uma das principais apostas para reduzir as emissões do setor aéreo. Em Charqueadas, a combinação entre produção agrícola, tecnologia e indústria energética pode transformar uma commodity tradicional do campo gaúcho em matéria-prima de uma cadeia de maior valor agregado.
Apesar do potencial, os números divulgados ainda devem ser tratados como metas do empreendimento, já que a biorrefinaria está em fase de implantação. Se a capacidade anunciada for efetivamente alcançada, porém, o projeto poderá representar um passo relevante na diversificação energética do Rio Grande do Sul e criar uma nova oportunidade comercial para produtores rurais, colocando o arroz brasileiro também no centro da corrida por combustíveis renováveis.




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