Exportações de café rendem US$ 14,6 bilhões e alcançam segunda maior receita da história
Brasil encerra safra 2025/26 com faturamento bilionário no mercado internacional, mesmo após queda no volume de café embarcado
Exportações brasileiras de café movimentaram US$ 14,6 bilhões na safra 2025/26 e alcançaram a segunda maior receita da história do setor. O café brasileiro voltou a demonstrar sua força no comércio exterior. Na safra 2025/26, encerrada em junho, as exportações geraram uma receita de US$ 14,595 bilhões, resultado que representa o segundo maior faturamento já registrado pelo setor em um ano safra. O desempenho ficou próximo do recorde alcançado no ciclo anterior e confirma a importância do produto para o agronegócio e para a geração de divisas no país.
Entre julho de 2025 e junho de 2026, o Brasil exportou aproximadamente 38,46 milhões de sacas de 60 quilos para 125 países. O volume foi 15,7% menor que o registrado na temporada anterior. Mesmo com menos café enviado ao exterior, a valorização internacional do produto compensou parte significativa da redução dos embarques e manteve a receita em patamar histórico.
O preço médio recebido pelos exportadores chegou a US$ 379,48 por saca, o maior valor da série histórica e 17,4% superior ao observado na safra anterior. A alta das cotações esteve relacionada, entre outros fatores, à oferta mundial mais restrita, aos impactos climáticos sobre lavouras produtoras e à valorização dos cafés brasileiros de maior qualidade.
A Alemanha terminou a safra como principal destino do café brasileiro, com cerca de 5,18 milhões de sacas adquiridas. Os Estados Unidos ficaram na segunda posição, seguidos por Itália, Bélgica e Japão. O mercado norte americano perdeu participação durante o período após dificuldades comerciais e aumento de tarifas que atingiram produtos brasileiros e afetaram os embarques.
O café arábica continuou liderando as vendas externas do país, com aproximadamente 29,5 milhões de sacas, equivalentes a mais de 76% de tudo o que foi exportado. Os cafés conilon e robusta somaram pouco mais de 5 milhões de sacas, enquanto o café solúvel respondeu por aproximadamente 3,87 milhões.
Outro destaque foi o mercado de cafés diferenciados, certificados e de qualidade superior. Esse segmento movimentou cerca de US$ 3,16 bilhões e respondeu por mais de um quinto da receita obtida com as exportações brasileiras. O desempenho reforça uma tendência importante para o setor, a busca por maior valor agregado e por consumidores dispostos a pagar mais por origem, qualidade, sustentabilidade e rastreabilidade.
Apesar do resultado financeiro positivo, o setor ainda enfrenta desafios. Problemas logísticos nos portos, estoques reduzidos, custos de produção, condições climáticas e oscilações no mercado internacional podem influenciar o desempenho da próxima temporada. A capacidade brasileira de ampliar a produtividade e conquistar novos compradores será fundamental para manter o país entre os maiores protagonistas do mercado global de café.
Os primeiros números da safra 2026/27 já indicam recuperação dos embarques. Em julho, o Brasil exportou cerca de 3,03 milhões de sacas, crescimento de 9,9% em comparação com o mesmo mês do ano passado. O avanço aumenta a expectativa de uma temporada com maior volume comercializado, embora preços, clima e demanda internacional continuem sendo fatores decisivos nos próximos meses.




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