El Niño pode atingir força histórica no fim de 2026, aponta NOAA
Projeção indica 95% de chance de o fenômeno alcançar categoria muito forte entre outubro e dezembro; cenário aumenta atenção para secas, chuvas extremas e impactos na agricultura brasileira
Legenda para capa: El Niño pode atingir força histórica no fim de 2026 O El Niño que já atua sobre o planeta pode ganhar proporções excepcionais nos próximos meses. A atualização divulgada nesta quinta-feira (13) pelo Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) elevou para 95% a probabilidade de o fenômeno atingir intensidade considerada muito forte entre outubro e dezembro de 2026.
A projeção chama ainda mais atenção por outro número: segundo a NOAA, existe 69% de probabilidade de o episódio alcançar ou superar +2,5°C no índice RONI durante o trimestre outubro-novembro-dezembro, patamar que faria deste El Niño um evento mais intenso que os demais registrados na série histórica utilizada pelo órgão, iniciada em 1950.
Embora a expressão “super El Niño” seja utilizada informalmente para descrever episódios excepcionalmente intensos, a classificação oficial da NOAA trabalha com categorias como fraco, moderado, forte e muito forte. Para ser enquadrado na faixa de maior intensidade na projeção atual, o índice considerado pelo órgão precisa alcançar pelo menos +2°C. Para outubro, novembro e dezembro, apenas 5% das projeções apontam para intensidade forte, enquanto os outros 95% indicam um evento muito forte.
Oceano já dá sinais de forte aquecimento
Os sinais de intensificação já são observados no Pacífico Equatorial. A NOAA informa que o El Niño se fortaleceu ao longo do último mês, com temperaturas da superfície do oceano superiores a 2°C acima da média em áreas do Pacífico Equatorial oriental. O cenário atual indica que o aquecimento deve continuar avançando até o fim do ano.
A combinação entre oceano aquecido e alterações na circulação da atmosfera interfere na distribuição das chuvas e das temperaturas em diversas partes do mundo. Por isso, quanto mais intenso for o fenômeno, maior tende a ser a possibilidade de ocorrência dos padrões climáticos normalmente associados ao El Niño.
Isso, entretanto, não significa que todas as regiões enfrentarão automaticamente eventos extremos. A própria NOAA ressalta que um El Niño muito forte aumenta a confiança em determinados padrões climáticos, mas não permite afirmar antecipadamente que um desastre ou evento específico acontecerá em determinada cidade ou região.
O que pode acontecer no Brasil?
No Brasil, os efeitos do El Niño costumam ser bastante diferentes de uma região para outra. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) já vinha alertando para a intensificação do fenômeno durante o segundo semestre de 2026 e para uma elevada possibilidade de atingir intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão.
Historicamente, o fenômeno favorece redução das chuvas em áreas do Norte e Nordeste, elevando o risco de estiagem e pressão sobre recursos hídricos. No sentido oposto, o Sul do país costuma apresentar condições mais favoráveis a volumes elevados de chuva, com aumento do risco de alagamentos, cheias de rios e outros eventos associados ao excesso de precipitação.
O Centro-Oeste também merece atenção, principalmente pela relevância da região para a produção agropecuária. Segundo o Inmet, episódios de El Niño podem favorecer diminuição das chuvas e maior ocorrência de períodos secos em partes do Centro-Oeste e Sudeste. Durante a primavera e o início do verão, a ocorrência de veranicos pode interferir no plantio e no desenvolvimento inicial de culturas como soja e milho.
Agricultura, água e energia entram no radar
Uma alteração prolongada no regime de chuvas ultrapassa a discussão sobre previsão do tempo. Dependendo de onde os efeitos forem mais intensos, o fenômeno pode repercutir na agricultura, na disponibilidade de água, nos reservatórios e, consequentemente, em diferentes setores da economia.
Na agricultura, por exemplo, a falta de chuva pode elevar o risco para lavouras de sequeiro nas áreas mais secas, enquanto o excesso de precipitação no Sul pode provocar encharcamento do solo, favorecer doenças fúngicas e dificultar operações agrícolas. O Inmet ressalta, porém, que o resultado final dependerá não apenas da intensidade do El Niño, mas também da interação com outros componentes do sistema climático.
O Brasil já mantém acompanhamento integrado do fenômeno. Inmet, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Cemaden, Serviço Geológico do Brasil, Defesa Civil Nacional e outros órgãos participam do monitoramento das condições oceânicas, meteorológicas, hidrológicas e geológicas relacionadas ao El Niño.
Próximos meses serão decisivos
A atenção agora se volta principalmente para a primavera e o início do verão. A previsão oficial da NOAA indica 93% de chance de intensidade muito forte entre setembro e novembro, chegando aos 95% no trimestre seguinte. Para novembro, dezembro e janeiro, a probabilidade ainda permanece elevada, em 90%.
Os números colocam o El Niño de 2026 entre os principais fenômenos climáticos a serem acompanhados nos próximos meses. Se as projeções se confirmarem, o evento poderá alcançar um patamar raro na série histórica. O tamanho dos impactos sobre o Brasil, entretanto, dependerá de como o aquecimento do Pacífico irá interagir com outros fatores atmosféricos e oceânicos — razão pela qual atualizações meteorológicas e alertas oficiais ganharão ainda mais importância até o começo de 2027.




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