Uso da PrEP contra HIV triplica e DF supera meta nacional
Ampliação do acesso gratuito à profilaxia preventiva pelo SUS fortalece a estratégia de prevenção combinada e coloca o Distrito Federal entre os melhores indicadores do país no enfrentamento ao HIV
DF supera meta nacional na prevenção ao HIV com crescimento expressivo do uso da PrEP pelo SUS. Ampliação do acesso gratuito à PrEP pelo SUS fortalece política de prevenção combinada, amplia cobertura territorial e posiciona o Distrito Federal entre os melhores indicadores do país no combate ao HIV
O Distrito Federal registrou um avanço expressivo na prevenção ao HIV com a ampliação do uso da profilaxia pré-exposição (PrEP), medicamento oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Desde 2023, a adesão à estratégia preventiva mais que triplicou e já supera com folga a meta nacional definida pelo Ministério da Saúde.
O crescimento representa um marco importante para a política pública de prevenção combinada no DF, estratégia que reúne testagem regular, acompanhamento clínico, distribuição de preservativos e uso de medicamentos antirretrovirais antes da exposição ao vírus.
De acordo com dados atualizados da Secretaria de Saúde, o indicador chamado “razão PrEP” saltou de 3,39 em 2023 para 10,26 em 2026. O índice mede a quantidade de pessoas utilizando a profilaxia em comparação com novos casos de HIV em acompanhamento. A meta nacional considerada adequada é de três usuários para cada caso.
Na prática, o resultado coloca o Distrito Federal entre as unidades da federação com melhor desempenho proporcional na ampliação da prevenção.
Atualmente, mais de 7,6 mil pessoas já iniciaram o uso da PrEP na rede pública do DF desde a implantação da estratégia. Apenas no último ano, mais de 5,6 mil mantiveram retirada regular da medicação, sinalizando continuidade do tratamento e adesão efetiva.
O avanço está diretamente ligado à ampliação da oferta nas unidades básicas de saúde. Até poucos anos atrás, a profilaxia era restrita a serviços especializados. Com a descentralização iniciada em 2023, o acesso passou a ocorrer também na atenção primária, aproximando o serviço da população nas regiões administrativas.
Outro fator decisivo foi a ampliação da equipe autorizada a prescrever o medicamento. Enfermeiros e farmacêuticos capacitados passaram a integrar o atendimento preventivo, reduzindo filas, acelerando o início do acompanhamento e ampliando a cobertura territorial.
A política pública também avançou ao ampliar o perfil de usuários atendidos. Inicialmente voltada a públicos considerados de maior vulnerabilidade epidemiológica, a profilaxia passou a ser disponibilizada para qualquer pessoa interessada que não apresente contraindicação médica, após avaliação clínica e exames laboratoriais.
Hoje, adolescentes a partir de 15 anos e com peso mínimo de 35 quilos também podem acessar a estratégia preventiva pelo SUS, medida considerada essencial para ampliar a proteção entre jovens.
Outro passo relevante foi a inclusão da oferta da PrEP no sistema prisional do Distrito Federal, ampliando a cobertura em ambientes historicamente mais vulneráveis à transmissão de infecções sexualmente transmissíveis.
Especialistas em saúde pública destacam que o uso correto da profilaxia pré-exposição pode reduzir em mais de 90% o risco de infecção pelo HIV quando associado a outras medidas preventivas, como preservativos e testagem periódica.
O crescimento da estratégia no DF acompanha uma tendência internacional de fortalecimento da prevenção antes da infecção, modelo considerado essencial para reduzir novos diagnósticos e diminuir a mortalidade associada à aids.
Dados recentes indicam que o Distrito Federal também segue trajetória de redução nas mortes relacionadas à doença, reflexo direto da ampliação do acesso ao tratamento antirretroviral e da intensificação das políticas de diagnóstico precoce.
Apesar dos avanços, especialistas apontam que ainda existem desafios importantes, especialmente na ampliação da informação qualificada sobre a profilaxia, na redução do estigma associado ao HIV e na ampliação da cobertura entre populações jovens e periféricas.
A consolidação da PrEP como política estruturante no DF reforça uma mudança de paradigma na saúde pública: prevenir antes da exposição deixou de ser estratégia restrita e passou a integrar o cuidado contínuo oferecido pelo SUS.




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