Louback estava certa ao cobrar respeito
Episódio em sessão da Câmara de Niterói mostra que o direito à fala no plenário precisa ser preservado acima das disputas políticas
Cobrança por respeito feita pela vereadora Fernanda Louback durante sessão da Câmara de Niterói levanta debate sobre direito de fala no plenário. Por Yasmim Borges
O episódio envolvendo a vereadora Fernanda Louback, durante sessão recente da Câmara Municipal de Niterói, não pode ser tratado como mais uma divergência comum do ambiente político. O que o vídeo revela é algo mais sério: uma parlamentar tentando exercer seu direito de fala enquanto enfrentava interrupções em pleno plenário.
Independentemente do posicionamento de cada vereador sobre a concessão do título de cidadania honorária aprovado por 8 votos a 6, o ponto central do debate não é a homenagem em si. O ponto central é o respeito institucional. E nesse aspecto, a cobrança feita por Fernanda Louback foi correta.
O parlamento existe para garantir debate, divergência e votação. Mas existe também para assegurar que cada representante eleito possa se manifestar sem ser interrompido ou constrangido durante o uso da tribuna. Quando esse limite é ultrapassado, o problema deixa de ser político e passa a ser institucional.
Durante sua fala, Louback deixou claro que votou contra a homenagem por entender que, segundo sua avaliação, a pessoa homenageada teria descumprido uma lei municipal de sua autoria poucos dias após a sanção. Concordar ou discordar desse argumento é parte legítima do jogo democrático. O que não é legítimo é transformar o plenário em ambiente de provocação paralela enquanto uma parlamentar tenta concluir sua manifestação.
O vídeo que circulou nas redes sociais mostra justamente esse cenário: uma tentativa de fala interrompida por um ambiente de tensão que não contribui para o debate público. Ao insistir no direito de concluir sua manifestação, a vereadora não buscava privilégio político. Buscava algo básico em qualquer casa legislativa: respeito.
Outro ponto relevante é que o episódio reacende uma discussão importante sobre o tratamento dado a mulheres na política. O espaço institucional deve ser o local mais protegido para o exercício da palavra parlamentar. Quando isso não acontece, não é apenas uma vereadora que perde. É o próprio ambiente democrático que se fragiliza.
Louback também respondeu, durante sua manifestação, a críticas relacionadas à sua origem social e reforçou que sua atuação política está voltada à defesa de famílias, crianças e políticas públicas locais. Essa resposta mostra que o debate poderia ter permanecido no campo institucional, mas acabou sendo deslocado para um ambiente de confronto desnecessário.
O que se espera de qualquer parlamento é firmeza nas divergências e respeito nas manifestações. O episódio registrado na Câmara de Niterói mostra que a cobrança feita pela vereadora não foi exagerada. Foi legítima.
Defender o direito de fala de um parlamentar não é tomar partido político. É defender o funcionamento correto do próprio Legislativo.




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