Leandro Grass troca vermelho por laranja e deixa estrela do PT de fora da campanha no DF
Candidato apoiado por Lula aparece no segundo turno com o número 13 em uma nova identidade visual, levantando questionamentos sobre a tentativa de ampliar seu eleitorado e a exposição dos símbolos petistas na disputa contra Celina Leão.
Leandro Grass aparece em propaganda eleitoral com o número 13 em laranja e sem destaque para a estrela vermelha do PT. Por Yasmim Borges
O candidato de Lula ao Governo do Distrito Federal, Leandro Grass (PT), resolveu mudar a aparência da campanha para o segundo turno. Em um vídeo eleitoral, o tradicional vermelho do Partido dos Trabalhadores deu lugar ao laranja, enquanto a histórica estrela da legenda deixou de aparecer em destaque. O número 13 permanece, mas a nova identidade visual chama atenção justamente pelo distanciamento dos símbolos petistas.
Na política, nada impede uma mudança de cores. Mas também não se pode esperar que uma decisão dessa natureza passe despercebida. Grass continua filiado ao PT, permanece aliado de Lula e representa o mesmo partido que utiliza o vermelho e a estrela como marcas de sua trajetória. A pergunta é inevitável: por que esses símbolos perderam espaço justamente na reta decisiva da eleição?
A mudança ocorre após um primeiro turno em que Celina Leão (PP) recebeu 49,93% dos votos válidos, contra 34,47% de Grass. Diante da necessidade de conquistar novos eleitores, a alteração visual desperta questionamentos sobre a estratégia do candidato. Isso não comprova que exista uma tentativa de esconder sua ligação com o PT, mas torna legítima a cobrança por uma explicação pública.
O eleitor brasiliense tem problemas muito mais urgentes do que a escolha de cores de uma campanha. Saúde, segurança, transporte, emprego e gestão dos recursos públicos precisam ocupar o centro do debate. A comunicação eleitoral pode mudar quantas vezes for necessário, mas não substitui propostas concretas nem esclarece, por si só, os compromissos políticos de quem pretende governar.
No fim, o vermelho pode sair do vídeo, a estrela pode perder espaço e o 13 pode até ganhar uma nova cor. O que não muda é a filiação de Leandro Grass ao partido de Lula. Cabe ao candidato explicar o significado da mudança e demonstrar que sua campanha tem mais a oferecer ao Distrito Federal do que uma nova apresentação visual.




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