El Niño ganha força e NOAA eleva para 75% chance de episódio histórico até o fim de 2026
Fenômeno continua se intensificando no Pacífico e tem mais de 90% de probabilidade de alcançar categoria muito forte; Brasil pode enfrentar chuva excessiva no Sul, calor, estiagem e maior risco de incêndios em outras regiões
El Niño ganha força no Pacífico e NOAA eleva para 75% a chance de episódio histórico no fim de 2026. O El Niño de 2026 ganhou força nas últimas semanas e as projeções passaram a indicar um cenário ainda mais expressivo para o fim do ano. A atualização mais recente do Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) aponta 75% de probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade histórica entre outubro e dezembro, superando episódios registrados desde 1950 pelos critérios atualmente utilizados pelo órgão.
A nova estimativa representa uma elevação em relação à projeção divulgada em agosto, quando a probabilidade de um episódio dessa magnitude estava em 69%. Além disso, a NOAA mantém em mais de 90% a chance de um El Niño muito forte durante o segundo semestre de 2026 e o inverno de 2026/2027 no Hemisfério Norte, período correspondente à primavera e ao verão no Brasil.
Pacífico apresenta aquecimento intenso
Os sinais observados no Oceano Pacífico reforçam a previsão. Segundo a NOAA, as anomalias de temperatura da superfície do mar ultrapassaram 3°C em setores do Pacífico Equatorial Leste. Em agosto, o índice Niño 3.4 atingiu +1,8°C, enquanto Niño 3 chegou a +2,5°C e Niño 1+2 alcançou +3,4°C.
A atmosfera também apresenta características compatíveis com a intensificação do fenômeno, incluindo alterações nos ventos e na distribuição das chuvas sobre o Pacífico. Para os meteorologistas, a interação entre oceano e atmosfera indica que o El Niño deverá continuar ganhando força ao longo dos próximos meses.
O cenário considerado histórico pela NOAA ocorre caso o índice RONI, utilizado atualmente para acompanhar a intensidade do fenômeno, alcance +2,5°C ou mais na média de três meses entre outubro e dezembro de 2026. A própria agência ressalta, porém, que um El Niño extremamente intenso aumenta a possibilidade de impactos típicos do fenômeno, mas não permite determinar isoladamente onde ou quando ocorrerão eventos climáticos extremos.
Brasil entra em período de maior atenção
No Brasil, o terceiro boletim do Painel El Niño 2026-2027, elaborado por INPE, INMET, ANA, Cemaden, Serviço Geológico do Brasil, Defesa Civil Nacional e Censipam, já apontava mais de 90% de probabilidade de um El Niño muito forte entre setembro e novembro. Os órgãos também indicaram permanência do fenômeno pelo menos até o início de 2027.
Os impactos não devem ser iguais em todas as regiões. Para o trimestre entre setembro e novembro, os modelos climáticos indicam chuvas acima da média em áreas do Sul, principalmente no Rio Grande do Sul, além de partes de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Em sentido oposto, áreas do Norte, Nordeste e de parte do Brasil Central apresentam maior possibilidade de precipitações abaixo do padrão histórico.
A temperatura é outro ponto de atenção. A previsão indica valores acima da média em grande parte do território brasileiro, embora entradas de massas de ar frio ainda possam provocar quedas pontuais nos termômetros. A combinação de calor persistente e falta de chuva pode ampliar o déficit hídrico e favorecer incêndios florestais principalmente nas regiões central e norte do país.
Calor, agricultura e recursos hídricos entram no radar
Um El Niño de grande intensidade pode atingir diferentes setores da economia. Alterações no volume e na distribuição das chuvas influenciam diretamente a agricultura, a geração de energia, os reservatórios, o transporte, a pecuária e o planejamento das cidades.
No campo, tanto o excesso quanto a falta de precipitações podem interferir no calendário de plantio, desenvolvimento e colheita das principais culturas brasileiras. No Sul, volumes elevados aumentam a preocupação com alagamentos, erosão e perdas localizadas. Nas áreas sujeitas à estiagem, a atenção se volta à disponibilidade de água no solo e ao impacto das temperaturas elevadas sobre as lavouras.
Os órgãos federais também chamam atenção para o risco de a intensificação do fenômeno prolongar condições de estiagem em áreas da Amazônia Legal e do Pantanal, principalmente se houver atraso na regularização da estação chuvosa. Solo e vegetação mais secos aumentam a vulnerabilidade aos incêndios.
Distrito Federal também exige acompanhamento
No Centro-Oeste, o comportamento das chuvas pode apresentar grande variação regional, o que exige cautela na associação direta de cada período seco ou chuvoso ao El Niño. Ainda assim, o cenário de temperaturas elevadas e baixa umidade no Brasil Central merece atenção especial durante a transição para a estação chuvosa.
O próprio Distrito Federal já enfrentou em 2026 episódios extremos de calor e umidade. Em agosto, o INMET registrou no DF o dia mais quente e seco do ano até aquele momento, dentro de um cenário de massa de ar quente e seco sobre a área central do Brasil.
A recomendação dos órgãos de monitoramento é acompanhar continuamente previsões meteorológicas e alertas da Defesa Civil. Quanto maior a intensidade do El Niño, maior tende a ser a possibilidade de alterações importantes no padrão climático, embora nenhum evento específico possa ser atribuído antecipadamente apenas ao fenômeno.
Com a probabilidade de um episódio histórico passando de 69% em agosto para 75% em setembro, os próximos meses serão decisivos para determinar até onde irá a intensificação do El Niño de 2026/2027 e quais regiões brasileiras sentirão seus efeitos com maior intensidade.




COMENTÁRIOS