Shein perde bilhões em valor de mercado e chega ao IPO de Hong Kong avaliada em US$ 27 bilhões
Gigante da moda tenta levantar até US$ 1,77 bilhão enquanto enfrenta tarifas, concorrência maior e desaceleração das vendas
Shein chega ao IPO em Hong Kong avaliada em até US$ 27 bilhões, muito abaixo dos US$ 100 bilhões alcançados em 2022, em meio à desaceleração das vendas, tarifas e maior pressão sobre o comércio eletrônico global. A Shein chega a um dos momentos mais importantes de sua história com uma avaliação bem distante dos números que já fizeram da empresa uma das startups mais valiosas do mundo. A gigante do comércio eletrônico iniciou nesta segunda-feira (24) a venda de 280 milhões de ações para sua oferta pública inicial, o IPO, na Bolsa de Hong Kong. No teto da faixa estabelecida para os papéis, a companhia poderá ser avaliada em aproximadamente US$ 27 bilhões.
A cifra representa uma mudança significativa na percepção do mercado. Em 2022, a Shein chegou a ser avaliada em cerca de US$ 100 bilhões. Já em 2023 e abril de 2024, esse valor havia recuado para US$ 64 bilhões. Agora, a avaliação prevista para o IPO equivale a pouco mais de um quarto do pico alcançado quatro anos atrás.
O plano prevê a venda das ações por valores entre HK$ 47,60 e HK$ 49,50. Caso consiga colocar todos os papéis pelo preço máximo, a varejista poderá captar cerca de HK$ 13,86 bilhões, equivalentes a aproximadamente US$ 1,77 bilhão. A operação ocorre após a empresa abandonar tentativas anteriores de abrir seu capital em Nova York e Londres.
Pressão sobre o modelo de negócios
A redução da avaliação acontece enquanto o modelo que impulsionou a expansão internacional da Shein enfrenta obstáculos maiores. Tarifas de importação, custos para conquistar novos clientes, concorrência de plataformas como a Temu e aumento da fiscalização regulatória pressionam a rentabilidade da empresa, principalmente nos Estados Unidos e na Europa.
Nos Estados Unidos, o fim de uma importante isenção tributária para pequenas encomendas vindas da China atingiu diretamente a operação. A receita da Shein no mercado norte-americano caiu 14,3% no primeiro trimestre de 2026, segundo informações apresentadas no prospecto da companhia. A empresa também registrou prejuízo trimestral de US$ 99 milhões.
O ritmo geral de expansão também diminuiu. A Shein informou que espera crescimento da receita no primeiro semestre de 2026 próximo dos 1,1% registrados no primeiro trimestre. Para investidores, o desafio agora é saber se a empresa conseguirá preservar margens e continuar crescendo diante de impostos maiores, custos comerciais e pressão competitiva.
Tecnologia e expansão global
Mesmo diante do cenário mais difícil, a Shein pretende usar aproximadamente 80% dos recursos obtidos na oferta para investimentos em tecnologia e para fortalecer sua marca e presença internacional. Investidores ligados a Boyu, Tiger Global e General Atlantic estão entre os participantes da operação.
O preço definitivo do IPO está previsto para ser anunciado em 31 de agosto. A negociação das ações deverá começar em 1º de setembro na Bolsa de Hong Kong. Caso seja concluída conforme planejado, a oferta será a maior venda de novas ações realizada no mercado de Hong Kong em 2026, colocando novamente a Shein no centro das atenções do mercado financeiro internacional.




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